O Brasil é um dos maiores mercados de terminação de voz da América Latina – mais de 215 milhões de pessoas, cerca de 67 códigos de área distintos (DDDs) e uma indústria de contact center que lida com uma parcela significativa do volume global de BPO. É também um dos destinos mais exigentes tecnicamente na região: uma grande diferença de preços entre a terminação de linha fixa e móvel, um problema bem documentado de fraude de Supervisão de Respostas Falsas (FAS) em rotas cinzentas, um formato de numeração obrigatório que confunde as operadoras não familiarizadas com o padrão móvel de 9 dígitos, e um ambiente de interconexão regulamentado pela Anatel que determina o que seu parceiro de terminação pode fazer legalmente na etapa final.
Este guia aborda as especificidades técnicas, comerciais e regulatórias necessárias antes de rotear o tráfego VoIP de atacado para o Brasil.
Formato de numeração do Brasil — acertando o E.164

Todo número brasileiro segue o padrão: +55 [DDD] [número de assinante].
O código do país é +55. O DDD (Discagem Direta a Distância) é um código de área de dois dígitos atribuído pela Anatel. O Brasil tem 67 DDDs ativos – só o estado de São Paulo usa nove (11–19 para diferentes zonas metropolitanas e regionais). O Rio de Janeiro usa 21, 22 e 24. Outras grandes cidades: 41 (Curitiba), 51 (Porto Alegre), 61 (Brasília), 71 (Salvador), 85 (Fortaleza).
O comprimento do número de assinante difere de acordo com o tipo de serviço:
- Linha fixa: 8 dígitos (DDD + número local de 8 dígitos = 10 dígitos após +55)
- Móvel: 9 dígitos (DDD + dígito 9 + número local de 8 dígitos = 11 dígitos após +55)
O Brasil adicionou o 9º dígito obrigatório a todos os números móveis, começando com São Paulo em 2012, com implementação nacional completa concluída até 2016. Qualquer operadora ou configuração de tronco SIP que ainda envie números móveis brasileiros de 8 dígitos será rejeitada pelas redes de destino. Verifique se seu dialplan lida corretamente com o prefixo 9 em todos os DDDs móveis brasileiros.
Um número de celular formatado corretamente em São Paulo: +55 11 9 8765 4321
Uma linha fixa formatada corretamente no Rio de Janeiro: +55 21 3456 7890
Terminação de linha fixa vs. móvel – a diferença de custo

A estrutura de custos de interconexão do Brasil cria uma diferença de preços entre a terminação de linhas fixas e móveis que é maior do que a maioria dos outros grandes mercados.
Interconexão de linha fixa utiliza a TU-RL (Taxa de Uso de Rede Local) — taxa de acesso à rede local regulamentada pela Anatel. Essas tarifas são relativamente baixas, tornando a terminação de linha fixa para o Brasil comercialmente competitiva.
Interconexão móvel usa VU-M (Valor de Uso de Rede Móvel) — a tarifa de terminação móvel paga às operadoras móveis brasileiras. A Anatel regulamenta o VU-M, mas as tarifas são mais altas do que as equivalentes de linhas fixas porque as operadoras móveis retêm receitas de interconexão reguladas. O efeito prático: a terminação móvel para o Brasil normalmente custa de 3 a 5 vezes mais do que a terminação de linha fixa para o mesmo DDD.
Para operações de contact center que encaminham chamadas de saída para assinantes móveis brasileiros – que respondem pela maior parte do tráfego de telecomunicações brasileiro – a diferença de preço móvel-fixo impacta diretamente o custo por campanha. A classificação precisa do número antes do roteamento (fixo vs. móvel) não é opcional; rotear incorretamente uma chamada móvel como fixa resulta em chamadas rejeitadas ou cobranças inesperadas.
Explorador de taxas do My Country Mobile em mycountrymobile.com/wholesale-voip-rates/ abrange todos os 67 DDDs brasileiros em prefixos fixos e móveis, com preços atuais para os níveis Premium, Standard e Call Center.
Licenciamento Anatel — o que sua operadora precisa na última milha

A Anatel é a agência reguladora nacional de telecomunicações do Brasil. Ela rege tanto a tecnologia quanto os termos comerciais sob os quais o tráfego de voz pode terminar para assinantes brasileiros.
Para um transportador atacadista estrangeiro, o ponto relevante é o exigência de última milha: o tráfego que entra na rede pública comutada brasileira para entrega a um assinante fixo ou móvel deve ser entregue a uma operadora local licenciada pela Anatel. Existem duas categorias de licença relevantes para terminação de VoIP:
SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) — A licença de serviço de comunicações multimédia, aplicável a VoIP entregue numa rede corporativa ou numa rede de operador licenciado. Esta é a licença mínima para trânsito de voz baseado em IP dentro do Brasil.
STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado) — A licença do serviço telefónico fixo comutado, necessária à interligação com a rede telefónica pública e entrega aos assinantes finais. Uma operadora que termina chamadas VoIP para assinantes brasileiros de telefonia fixa ou móvel por meio da PSTN deve possuir, ou ser parceira de uma operadora que possua, uma autorização STFC.
Implicações práticas para compradores: Ao avaliar operadoras atacadistas para terminação no Brasil, pergunte explicitamente se seu trecho de terminação no Brasil é administrado por meio de um parceiro local licenciado pela Anatel. As operadoras que direcionam o tráfego através de operadoras não licenciadas ou farms de SIM do mercado cinza criam qualidade e exposição legal. Uma interconexão de operadora brasileira licenciada também é um pré-requisito para a entrega CLI estável – rotas não licenciadas frequentemente removem ou destroem a CLI na transferência PSTN.
Pronto quando você estiver
Proteja sua linha de negócios.
Os números locais do MCM são fornecidos com identificador de chamadas verificado e filtragem inteligente de chamadas – os clientes sempre sabem que é você mesmo e o spam nunca chega à sua equipe.
Entrega CLI nas rotas brasileiras
CLI (Calling Line Identification) determina se a parte chamada vê seu número, um número proxy ou nada. Nas rotas brasileiras, a entrega CLI é mais variável do que nos mercados da Europa Ocidental porque o número de saltos de interconexão entre uma operadora atacadista estrangeira e um assinante móvel brasileiro é normalmente maior.
Três modos de manipulação de CLI são importantes para o Brasil:
CLI de passagem — Seu número de chamada original é encaminhado de ponta a ponta. Isso requer formatação E.164 adequada (código do país + DDD + número de assinante) e uma cadeia de operadora que suporte passagem CLI sem remoção. A opção mais importante para contact centers ativos, onde o reconhecimento de chamadas aumenta as taxas de atendimento.
CLI normalizada — A transportadora reformata sua CLI em um número local válido antes da entrega. Útil quando seus números de origem não são brasileiros e você precisa de um número brasileiro apresentado no destino. Requer um DID local ou atribuição de bloco numérico.
CLI atribuída pelo provedor — A operadora atribui uma CLI rotativa de seu inventário de números. Comum em rotas de baixo custo; Alterações CLI por chamada ou por sessão. Taxas de resposta mais baixas. Evite campanhas externas de marca.
Para o tráfego do contact center onde as taxas de atendimento são importantes, as rotas Premium com CLI de passagem para um DID brasileiro que você controla são o ponto de partida correto.
Fraude FAS — um risco específico do Brasil

Supervisão de resposta falsa (FAS) ocorre quando o switch de uma operadora atacadista relata uma chamada como atendida - acionando seu relógio de faturamento - antes que a pessoa chamada realmente atenda. A operadora cobra os segundos faturados; você paga pelo tempo de ligação que não aconteceu.
A FAS é documentada como um problema sistêmico nas rotas cinzentas brasileiras. O mecanismo: algumas interconexões de baixo custo no Brasil enviam um SIP 200 OK quando a rede emite um tom de retorno de chamada, não quando um humano atende. Seu CDR mostra uma chamada de 45 segundos; a conversa real durou zero segundos.
Proteção contra FAS no trânsito brasileiro:
Proteção contratual FAS — Exija a proibição explícita da FAS no seu contrato de operadora, com soluções vinculadas à reconciliação do CDR. Uma transportadora que não esteja disposta a se comprometer contratualmente provavelmente estará operando rotas onde ocorre FAS.
Monitoramento ACD por prefixo — As rotas FAS apresentam ASR elevado com ACD muito baixo — muitas vezes abaixo da média de 10 segundos. O monitoramento do ACD discriminado por DDD e não por país captura FAS em nível de prefixo antes de acumular exposição significativa.
Reconciliação de CDR — Compare os CDRs da sua plataforma com os registros de faturamento da operadora. Diferenças sistemáticas na duração da chamada atendida que sempre favorecem o CDR da operadora são um sinal FAS.
Evite rotas cinzentas — As rotas cinzentas para o Brasil (fazendas SIM não registradas, tráfego reapresentado) têm uma incidência desproporcionalmente alta de FAS. A diferença de custo em relação a uma rota Premium compatível raramente compensa a exposição à fraude e o risco regulatório.
Níveis de rota para o tráfego brasileiro
O My Country Mobile oferece três níveis de rotas para o Brasil, correspondendo à estrutura global do MCM:
Prêmio As rotas utilizam interconexões diretas Tier-1 com operadoras brasileiras licenciadas pela Anatel. A CLI é aprovada intacta, a proteção FAS é coberta contratualmente e as metas ASR/ACD são mantidas nos padrões Premium. A escolha certa para campanhas ativas de contact center, linhas de atendimento ao cliente e qualquer tráfego em que a taxa de atendimento de chamadas e a qualidade do áudio afetem os resultados dos negócios. Os destinos de telefonia fixa e móvel são cobertos em todos os 67 DDDs.
Padrão as rotas combinam interconexões diretas com caminhos gerenciados por LCR para eficiência de custos. A entrega CLI é mantida na maioria dos DDDs. Adequado para chamadas de verificação, comunicações internas de alto volume ou destinos onde o volume e a eficiência de custos superam o espaço máximo de qualidade.
Central de Atendimento as rotas são estruturadas para operações superiores a um milhão de minutos mensais de tráfego brasileiro. Descontos por volume, capacidade dedicada nos prefixos de São Paulo e Rio de Janeiro e roteamento prioritário durante o horário comercial brasileiro fazem parte do pacote. Se o seu volume de discagem brasileiro for qualificado, o custo efetivo por minuto cairá substancialmente.
Explore as tarifas atuais para todos os níveis dos prefixos fixos e móveis brasileiros em mycountrymobile.com/wholesale-voip-rates/.
Referências de qualidade para rotas brasileiras
As métricas de qualidade de terminação brasileira diferem por tipo de destino:
| Tipo de destino | ASR esperado | Piso ACD | Alvo PDD |
|---|---|---|---|
| Telefonia fixa, grandes cidades (SP, RJ, BH) | 60–70% | 90 segundos | <5 segundos |
| Celular, grandes cidades (SP, RJ, BH) | 50–65% | 75 segundos | <6 segundos |
| DDDs regionais de linha fixa | 55–65% | 80 segundos | <7 segundos |
| DDDs regionais e móveis | 45–58% | 60 segundos | <8 segundos |
O ASR móvel é inferior ao da linha fixa, não por causa de falhas na rede, mas porque os assinantes móveis têm taxas mais altas de chamadas não atendidas. Isso é normal para celulares brasileiros. ASR sustentada abaixo de 40% no celular ou abaixo de 50% na linha fixa após o controle de chamadas não atendidas indica um problema de roteamento.
O PDD para DDDs regionais brasileiros é normalmente mais alto do que para São Paulo e Rio porque menos operadoras têm interconexões diretas para mercados menores, adicionando saltos de trânsito. Se o seu tráfego estiver concentrado em um DDD específico, pergunte especificamente às operadoras em potencial sobre a cobertura de interconexão direta desse prefixo.
Incremento de faturamento e seu efeito nas campanhas brasileiras
O custo da terminação móvel no Brasil torna a seleção do incremento de faturamento mais importante do que nos mercados de baixo custo. Incrementos de faturamento comuns disponíveis nas operadoras atacadistas:
- 1/1 — Faturado por segundo a partir do primeiro segundo. Melhor para tráfego de duração mista, incluindo chamadas muito curtas.
- 6/6 — Mínimo de 6 segundos, incrementos de 6 segundos. Padrão para a maioria dos contratos de operadora.
- 30/6 — mínimo de 30 segundos e depois incrementos de 6 segundos. Comum, mas caro em celulares brasileiros se o ACD médio for baixo.
- 60/60 — Mínimo de minuto completo, incrementos de minuto completo. Pior valor para tráfego móvel de ACD curto.
Para campanhas de contact center ativas no Brasil, onde as taxas de atendimento móvel são mais baixas e as chamadas ACD curtas são comuns, um incremento de 6/6 ou 1/1 reduz significativamente o custo efetivo em comparação com 30/6 ou 60/60 com a mesma taxa principal. Negocie explicitamente os termos de incremento; o padrão oferecido raramente é o mais favorável.
Escolhendo uma operadora para VoIP atacadista brasileiro
Avalie as operadoras de terminação brasileiras em relação a estes critérios específicos do Brasil:
Interconexão direta em São Paulo — O tráfego do Brasil está concentrado no estado de São Paulo (DDD 11–19). Uma operadora com PoP local e interconexão direta em São Paulo oferece menor PDD e melhor ASR para o mercado de maior volume do Brasil do que uma rota através de Miami ou da Europa.
Verificação de parceiro Anatel — Solicite o nome e o número da licença da Anatel do parceiro brasileiro de terminação da operadora. Transportadoras licenciadas verificáveis não são uma garantia de qualidade, mas as não verificáveis são um sinal de alerta.
Plataformas de taxas fixas e móveis separadas — Qualquer operadora que cote uma tarifa única combinada para o “Brasil” sem distinguir o fixo do móvel está ocultando a sobretaxa móvel ou não cobrindo o celular diretamente. Insista em plataformas de taxas de nível de prefixo.
Proteção FAS por escrito — Conforme observado, o FAS é um risco específico da rota brasileira. Uma transportadora que não consegue incluir a proteção FAS no contrato não é a transportadora adequada para o tráfego brasileiro.
Suporte NOC em português — Não essencial, mas útil para resolver rapidamente questões específicas do Brasil. Uma operadora com operações locais ou uma equipe NOC brasileira pode diagnosticar interrupções em nível de prefixo mais rapidamente do que encaminhar todos os tickets por meio de um helpdesk global.
O My Country Mobile cobre todos os 67 DDDs brasileiros em telefonia fixa e móvel, com níveis Premium, Standard e Call Center, interconexões diretas para São Paulo e Rio de Janeiro e parceiros de terminação brasileiros licenciados pela Anatel. Para obter uma tabela de taxas e um guia de configuração técnica para seu perfil de tráfego, comece em mycountrymobile.com/wholesale-voip-rates/.
Para uma visão mais ampla, leia nossos guias para Terminação VoIP de atacado A-Z e o melhores provedores de VoIP no atacado.
Pronto quando você estiver
Pronto para soar local em todos os lugares onde você vende?
O MCM ativa números comerciais em minutos, com roteamento de chamadas, análises e integrações prontas para CRM. Comece seu teste – sem cartão para navegar no inventário.
Perguntas frequentes
Qual formato de código de país e código de área o Brasil usa?
O Brasil usa o código do país +55 seguido por um DDD (código de área) de dois dígitos e o número do assinante. Os números de celular têm 9 dígitos; os números de linha fixa têm 8 dígitos. Um número de celular formatado em São Paulo se parece com +55 11 9 XXXX-XXXX.
Por que a terminação móvel para o Brasil é mais cara que a fixa?
As operadoras móveis brasileiras cobram tarifas de interconexão (VU-M) regulamentadas pela Anatel que são significativamente mais altas do que as tarifas de interconexão de linhas fixas. A terminação móvel para o Brasil normalmente custa de 3 a 5 vezes mais do que a linha fixa no mesmo DDD.
Preciso de licença da Anatel para encerrar chamadas para o Brasil?
As operadoras estrangeiras geralmente não precisam de licença própria da Anatel se fizerem parceria com uma operadora brasileira licenciada para o trecho final. O parceiro de terminação brasileiro precisa de uma licença SCM ou STFC. Verifique o status de licenciamento da sua operadora.
Qual formato CLI o Brasil exige?
Formato E.164: +55 + DDD de dois dígitos + número completo do assinante (9 dígitos para celular, 8 para fixo). A falta do 9º dígito nos números de celular causa rejeição.
O que é fraude da FAS e quão comum ela é nas rotas brasileiras?
FAS (Supervisão de Resposta Falsa) ocorre quando uma operadora cobra o tempo de chamada antes que a pessoa chamada atenda. É um problema documentado nas rotas cinzentas brasileiras. Exija proteção contratual do FAS e monitore o ACD pelo prefixo DDD para detectá-lo precocemente.
Qual ASR devo esperar nas rotas Premium brasileiras?
Rotas CLI móveis para grandes cidades: 50–65% ASR. Rotas CLI de linha fixa para as principais cidades: 60–70% ASR. ASR sustentada abaixo de 40% justifica investigação da transportadora.






